Fundação Padre Albino
Eric Ribeiro 19/08/2026

O número de casos de câncer de pulmão no Brasil pode aumentar 65% até 2040, enquanto a mortalidade pela doença pode crescer até 74% no mesmo período. O alerta está em estudo da Fundação do Câncer, elaborado com base em projeções da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Outro dado chama a atenção: mais de 60% dos pacientes recebem o diagnóstico já em estágios avançados da doença, o que pode reduzir as possibilidades de sucesso do tratamento. O cenário se repete nas diferentes regiões do país e reforça a importância da prevenção, da conscientização e do diagnóstico precoce.
De acordo com a médica de Família e Comunidade do Padre Albino Saúde, Juliana Zardini Melani Vidal, o tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. “A maioria dos pacientes diagnosticados, entre 87% e 94%, é formada por fumantes ou ex-fumantes. Além disso, cerca de 2% dos casos estão relacionados ao tabagismo passivo, quando a pessoa é exposta de forma intensa e prolongada à fumaça do cigarro, mesmo sem fumar. Um fumante de dez cigarros por dia, por exemplo, apresenta risco significativamente maior de desenvolver a doença em comparação com quem nunca fumou. Entre aqueles que consomem cerca de um maço por dia o risco é ainda mais elevado”, ressalta.
Cigarros eletrônicos também preocupam
No Brasil, a comercialização, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo assim, esses produtos continuam chegando aos consumidores por meio do comércio clandestino. Para a médica do Padre Albino Saúde é importante ampliar a conscientização sobre os riscos relacionados a esses novos produtos, especialmente entre os jovens, que podem ser atraídos pela variedade de sabores, formatos e estratégias de divulgação. Atualmente, cerca de 12% da população adulta brasileira consome algum tipo de produto derivado do tabaco. Além dos impactos para a saúde o tabagismo também representa importante custo social e econômico. Apenas o câncer de pulmão gera impacto estimado em R$ 9 bilhões por ano, considerando despesas diretas com tratamento, perda de produtividade e outros cuidados destinados aos pacientes.
Juliana Vidal destaca que em muitos casos, o câncer de pulmão pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. “Quando os sinais aparecem, especialmente em estágios mais avançados, alguns dos principais sintomas são tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem causa aparente, cansaço excessivo e presença de sangue no escarro. Esses sintomas devem ser investigados por profissional de saúde, principalmente quando persistem ou surgem em pessoas com fatores de risco, como histórico de uso de produtos com nicotina”, alerta.
Foto: Divulgação FPA/Magnific
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