Fundação Padre Albino
Eric Ribeiro 08/07/2026

Durante os dias de jogos da Copa do Mundo é comum que as refeições sejam substituídas por salgadinhos, embutidos, pizzas, hambúrgueres, batatas fritas e outros produtos ricos em sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos. Além disso, o consumo costuma ser prolongado, começando antes do apito inicial e se estendendo após o fim da partida, o que favorece o excesso de calorias e de substâncias associadas ao aumento da pressão arterial. Um estudo publicado no European Heart Journal revelou, por exemplo, que o consumo elevado de alimentos industrializados ricos em conservantes está associado ao aumento do risco de hipertensão arterial. A pesquisa acompanhou mais de 112 mil pessoas durante oito anos e identificou que os participantes com maior ingestão de conservantes não antioxidantes apresentaram 29% mais risco de desenvolver hipertensão em comparação com aqueles que consumiam menores quantidades. O alerta ganha ainda mais relevância diante do crescimento do consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil.
Uma ampla revisão científica publicada em 2024 na revista médica The BMJ, que reuniu evidências de 45 estudos envolvendo quase 10 milhões de pessoas, concluiu que maior exposição a esses produtos está associada ao aumento do risco de mais de 30 desfechos negativos para a saúde, entre eles doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, transtornos mentais e mortalidade precoce. Os pesquisadores destacam que esses alimentos, além de concentrarem grandes quantidades de sódio, açúcares e gorduras, também contêm diversos aditivos industriais que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas.
Segundo a nutricionista do Padre Albino Saúde, Flávia Helena Bordinassi Comelli, o problema não está em consumir esses alimentos de forma ocasional, mas na frequência e no exagero, principalmente em períodos como a Copa do Mundo, quando os encontros para assistir aos jogos se tornam mais frequentes. "O mais importante é o equilíbrio. Quem ainda não é hipertenso também precisa cuidar da alimentação para evitar alterações na pressão arterial ao longo da vida. Esse cuidado deve ser ainda maior para quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares, já que essas pessoas apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da doença", explica.
A nutricionista lembra ainda que é possível manter a tradição de reunir os amigos durante as partidas sem abrir mão de escolhas mais saudáveis. Frutas, castanhas, pipoca preparada com pouco óleo, sanduíches naturais e tábuas de legumes são opções que substituem parte dos petiscos industrializados. A hidratação com água e sucos naturais também ajuda a reduzir o consumo de refrigerantes e bebidas alcoólicas que, quando ingeridas em excesso, também favorecem o aumento da pressão arterial.
Foto: Divulgação/IA
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