Fundação Padre Albino Padre Albino Saúde
Eric Ribeiro 11/03/2026

As fortes chuvas desta época do ano costumam trazer uma série de transtornos para a população, como alagamentos, prejuízos materiais e dificuldades de mobilidade. Junto com esse cenário surge também uma preocupação importante de saúde pública: o aumento do risco de leptospirose, doença infecciosa causada por uma bactéria presente principalmente na urina de ratos e que pode ser transmitida ao ser humano por meio do contato com água ou lama contaminadas.
A médica de Saúde da Família e Comunidade do Padre Albino Saúde/PAS, Juliana Zardini Melani Vidal, explica que os sintomas podem surgir alguns dias após o contato com a água contaminada e muitas vezes são confundidos com outras condições infecciosas. “Os sinais iniciais costumam incluir febre, dor no corpo, principalmente nas panturrilhas, dor de cabeça, mal-estar e, em alguns casos, manchas pelo corpo e icterícia, que é a coloração amarelada da pele e dos olhos. Como esses sintomas podem se parecer com outras infecções, é fundamental que a pessoa informe ao médico se teve contato com água de enchente ou locais possivelmente infectados”, alerta.
O período de incubação pode variar de um a 30 dias, mas na maioria dos casos os sintomas aparecem entre o quinto e o décimo quinto dia após a exposição. Quando não diagnosticada e tratada de forma adequada, a leptospirose pode atingir órgãos importantes, como rins e pulmões, levando a complicações graves. Em relação ao tratamento, a médica explica que o acompanhamento deve ser iniciado assim que houver confirmação ou forte suspeita da doença. “O tratamento é feito principalmente com antibióticos para eliminar a bactéria, mas em alguns casos também é necessário suporte clínico. Se houver comprometimento renal, por exemplo, o paciente pode precisar de diálise. Já em situações com dificuldade respiratória pode ser necessário suporte ventilatório. Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores são as chances de recuperação”, destaca.
Para Juliana Zardini, a prevenção continua sendo uma das principais formas de evitar a transmissão da leptospirose, especialmente em períodos chuvosos. “Entre as medidas recomendadas estão evitar o contato com água de enchentes ou lama, utilizar botas e luvas ao realizar a limpeza de locais alagados, manter o lixo bem acondicionado, vedar caixas d’água e adotar medidas de controle de roedores. Para quem possui cães, bovinos ou suínos, os cuidados devem ser os mesmos, já que os animais que entram em contato com ambientes contaminados também podem transmitir a doença. Esses cuidados são fundamentais para proteger a saúde, principalmente em áreas com saneamento básico precário ou maior ocorrência de alagamentos”, ressalta.
Foto: Divulgação FPA/PEXELS
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